Primeiro Encontro – Parte 1

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Primeiro Encontro - Parte 1

Niane tomou mais um gole da caneca que estava à sua frente, fazendo uma careta quando sentiu o gosto amargo da cerveja quente. Deveria ter bebido mais depressa. Aquela coisa era intragável depois que esquentava. Chegava a ser estranho como uma bebida que tinha o mesmo nome conseguia ser tão diferente da cerveja dos enclaves. Soltando um grunhido irritado, ela levantou a cabeça, procurando o dono da taverna e levantando a caneca assim que ele olhou na sua direção. O mercenário de cabelos brancos saiu de trás do balcão depressa, passando entre as mesas vazias até onde Niane estava e colocando uma caneca de cerveja gelada na sua frente. Ela tomou um gole. Muito melhor.

De forma distraída, Niane olhou ao redor, enquanto tomava mais um gole. Paredes reforçadas, como qualquer construção ali, cobertas por marcas de armas e queimaduras. Mesas feitas de um plástico leve que não se quebrava facilmente e que não era resistente o bastante para ser usado como arma. Canecas, jarras, barris e garrafas feitos do mesmo material. Todo o lugar deixava claro que lutas eram algo um tanto quanto frequente. Aquela taverna não era o melhor lugar de Lleenari, mas pelo menos a bebida era aceitável e barata. Não dava para querer muito mais que isto em um planetoide que era o maior ponto de encontro de mercenários de Ionessen. O que Niane não entendia era o motivo para tantas mesas estarem vazias.

Estreitando os olhos, ela prestou atenção nos outros mercenários ali. As mesas mais perto da porta estavam ocupadas, assim como aquelas perto da parede oposta ao balcão. O espaço vazio estava ao seu redor.

Ah, certo.

Niane sorriu e tomou mais um grande gole da cerveja antes de se inclinar para trás na cadeira. Então os mercenários estavam com medo dela? Era divertido, na verdade. Ela nem tinha feito nada demais… Só desafiara dois veteranos para um duelo. Precisava gastar sua raiva. Não era problema seu se eles não eram tão bons quanto diziam ser.

— … Niane aqui.

A menção ao seu nome fez com que ela se virasse para quem falara. Uma mulher estava parada na porta da taverna. De pele alguns tons mais escura que a sua, com o cabelo longo preso em cordas grossas, ela estava usando uma camiseta clara que deixava sua barriga à mostra, assim como as tatuagens que cobriam o lado esquerdo do seu corpo. Suas calças e botas eram normais para os mercenários: estilo militar. Niane já tinha visto essa mulher antes, era uma das novatas que chegara no planetoide alguns dias atrás. Mas o que uma novata estaria querendo com ela?

Ainda sorrindo, Niane viu os mercenários com quem a novata estava falando hesitarem. E eles se diziam durões. Ela balançou a cabeça. Nem tinha feito nada para deixá-los intimidados assim.

— O que você quer? — ela levantou a voz.

Tanto a novata quanto os outros mercenários se viraram na sua direção. Niane percebeu quando a mulher a encarou, provavelmente notando as três canecas na mesa, além da que estava em sua mão, e sua pose relaxada.

— Disseram que precisava de um adversário à altura.

Niane riu. Ah, precisava de um adversário à altura sim. E isto queria dizer que uma novata nunca seria suficiente. Se nem mesmo os veteranos ali conseguiam derrubá-la, aquela garota não duraria nada.

A novata sorriu, mostrando os dentes de uma forma que não escondia seu desafio. Bom, já que ela fazia questão…

— Vamos ver do que é capaz, novata.

Ela virou o resto de bebida antes de colocar a caneca sobre a mesa e se levantar. Enfiando a mão em um dos bolsos, Niane começou a ir na direção do balcão, mas o dono da taverna gesticulou para que ela saísse. Sorrindo, ela tirou a mão do bolso e foi para a saída. Pelo visto assustar os veteranos tinha suas vantagens, como poder pagar a bebida depois.

A novata ainda estava no mesmo lugar, a encarando. Garota arrogante. Será que ela realmente pensava que seria uma adversária a altura?

— Para a arena, novata. — Niane falou, sorrindo. — Não quero destruir minha taverna favorita, e ela deve estar vazia agora.

E, se não estivesse, estaria antes de chegarem lá.

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